Se eu cronometrar certo
o trovão soa
quando eu abro a boca.

Vou velejando sem rumo na tempestade silenciosa,
enquanto a água vai entrando até pelos lugares onde eu já tinha remendado
Esse mar sacode
o que sobrou de mim
fio por fio
eu me desfaço
e o que sobra
são estilhaços abstratos

Se o colapso é um trabalho artístico
me torno uma obra prima

a deriva,
com valor inestimado,
e uma demanda suprimida.

Quando o mar se acalma
tudo o que me resta são comprimidos de
Clomipramina
café
whisky
e pessoas fúteis.

Passo metade do tempo desejando
a chuva passar
e metade do tempo desejando
a chuva voltar;