Você pode me escrever na história
Com suas mentiras amargas e distorcidas,
Você pode me pisar na própria sujeira
Mas ainda assim, como pó, vou ressurgindo
Meu atrevimento te incomoda?
Porque eu ando por aí como se tivesse poços de petróleo
bombeando na minha sala

Assim como a lua e como o sol
Com a certeza das marés,
Assim como as esperanças nascendo alto,
Vou ressurgindo

Você pode atirar em mim com suas palavras,
Você pode me cortar com seus olhos,
Você pode me matar com seu ódio,
Mas ainda assim, como o ar, vou ressurgindo

Das cabanas da vergonha da história
Eu me levanto
De um passado que está enraizado na dor
Eu me levanto
Sou um oceano negro, saltando e amplo,
Fluindo e crescendo
Me carregando na maré
Deixando para trás as noites de terror e medo
Eu me levanto
Em um amanhecer que é maravilhosamente claro
Eu me levanto
Trazendo os presentes que meus ancestrais deram,
Eu sou o sonho e a esperança do escravo.
Eu me levanto,
eu
me levanto.