Eu deito na rede da varanda,

No céu

pontinhos de luz descem até o chão

uma constelação de bombas nucleares que eu andei cultivando.

Não posso deixar de admirar,

o drama que elas fazem

antes de destruir tudo

a melancolia que paira sob o ar

O ódio radioativo

Contagiante.

Aquela a direita, aquela filha da puta alí

veio da minha ambição

eu a criei com plutônio e expectativas.

Quando ela atingir a superfície

eu irei ficar cego com tanta claridade.

Mais ao centro

minha paixão de ônibus

ela sentou ao meu lado

fomos conversando por alguns quilômetros,

ela me passou seu numero

e não estava correto;

A do centro

é o candidato que se dizia liberal

e estatizou tudo

…

me levanto entre os escombros

E cada maldita ferida

Ardendo

e queimando

Valeu a pena.

Procuro meu cigarro debaixo dos corpos

ando até a igreja

faço uma oração

Vago pelos escombros

Todos estão aparentemente

decepcionados

Eu entro em suas casas

E pela energia de cada olhar

Eu crio outras.

Pela amargura sintetizada em cada abraço,

eu crio mais uma.

Pelo beijo frio,

Pela mensagem não respondida,

E pelos desvios fora do meu alcance,

Eu crio outras malditas bombas nucleares.

Isso acaba explodindo uma hora ou outra,

e tudo vem pra cima de mim.

De novo e de novo.

Portanto

nunca se houve registro,

de uma bomba nuclear sequer

que eu tenha criado sozinho.