Eu abraço minha mãe

Peço benção ao meu pai

Me declaro para a mulher que eu amo

Ando pelo quintal

Dou atenção para meu cachorro.

Assisto Mad Men, tomo vinho, leio as minhas próprias poesias.

Olho para o relógio e muito tempo se passou mas eu ainda sou muito jovem.

Eu olho para as fotos e não reconheço aquele garoto

Ele olha para mim com sonhos tão pertinentes e eu fico com vergonha

Sinto vontade de fugir, encontrar a tal liberdade de que me falaram

Mas lá fora o mundo é cruel. O amor é escasso, não tem Mad Men, não tem meu cachorro e quanto custa uma garrafa de vinho?

Então eu me conformo com essa corrente

e ali no escuro do meu quarto, na música fria do meu fone de ouvido e nos meus poucos caracteres que me restam

Eu a encontro.