Desfaço as amarras do sistema e tomo cuidado para não deixar nenhuma cicatriz nos meus pulsos.
Sigo sozinho com um sorriso besta e olhos quase fechados, o sol queima minha face, mas é a liberdade
Os anjos me encaram com pudor, com inveja
Os demônios sorriem ao meu lado
Os corvos me dão cobertura
O céu claro e o deserto tentam me cegar
Eu me entrego a liberdade
Pois me cansei da falsidade
Minha maquiagem se desfaz com o suor
O sangue seca,
a cabeça dói
os ossos quebram
eu me arrasto pela poeira sorrindo
até que já não haja mais distinção entre eu e ela.
Mas é a liberdade.
É a porra da liberdade.