Eu tenho que admirar
aqueles que se deixaram levar pelas malicias da vida
que no ápice de seus momentos mais gloriosos estavam apoiados
em uma mesa de bar,
aqueles que se contentavam com a vida de merda
e nadavam na lama como se fosse a porra de uma piscina na cobertura
do condomínio de seus sonhos fracassados,
aqueles que militavam pela maconha e se vestiam de modo estranho
para quebrar os padrões de uma ditadura imaginaria.
Existem pássaros presos na gaiola,
e pássaros presos dentro do meu peito,
ambos sabem que a liberdade é uma piada.
Mas ambos morreriam por um minuto ao sol,
e ambos morreriam querendo voltar.
Eu digo que o mundo lá fora
está pronto para caçar-los
matar-los,
vender-los
e comprar mais maconha com a porra do dinheiro.
Mas eles insistem,
então eu os deixo ir.
Um se esmagou no vidro da janela,
um se perdeu entre os meus ossos,
mas os outros foram
foram embora
e agora eu vejo que
os malditos pássaros
podem estar em um lugar melhor,
aproveitando a vadia da liberdade.
E eu aqui, julgando, analisando, escrevendo.
Ainda tem um pássaro ferido em meus ossos,
ele quer sair e ouvir Janis Joplin pelos bares,
mas a velha Jani morreu,
e eu não sei como contar isso a ele
talvez eu tenha uma filha com esse nome
para alegrá-lo ou dizer “olha os velhos tempos voltaram Black Bird”
ele iria gostar dela, eu sei disso
mas nada será como antes.