O romance vai morrendo aos poucos,
Se agonizando no que restou da literatura,
Entre as notas desafinadas das musicas que eu costumava salvar,
Se arrasta entre cenas não compreendidas
feita por atores que nem mesmo sabem o seu significado.
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O romance vai morrendo aos poucos,
E eu posso ver toda uma geração
Agora procurando por um significado.
Uma razão, um proposito.
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Eu costumava escrever cartas,
Entregar flores,
Dizer que lembrei de uma data especial.
Mas agora, o que nos resta é divulgar
Mais festas e comprar mais bebidas
Na esperança de que isso preencha
Nosso coração amargo e sedento
Por momentos.
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Eu os pergunto,
Qual razão disso tudo,
Eles dizem
Aproveitar cada segundo.
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E o tempo passa,
E esmaga jovens como nós na parede
Dos sonhos líquidos que tínhamos.
E tudo o que nos resta é esperar pelo próximo final de semana.
E esperar que alguém esteja pronto para embarcar novamente,
Na putaria e no álcool de sempre.
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E o romance, é morto.
Me resta agora, nesta noite de domingo
Relembrar que porra foi essa,
Que época foi essa.
Bons tempos, eu digo enquanto o som suave do piano de Beethoven desaparece
E da lugar a batidas de tons grave
E letras obscenas o suficiente para me fazer aceitar tudo.
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Foi bom enquanto durou,
Agora enterro o que restou de Beethoven, Da Vince, Wagner e Shakespeare.
Enquanto todos pedem para eu aceitar.
Como se isso, não fosse tudo
O que me restasse.