Enquanto a fumaça enchia meus pulmões
e o agudo da música atingia o prazer do despertar,
comecei a me perguntar porque ela
apareceu na minha mente às 8:59.
Sem sucesso, meu sonho ia se apagando da memória,
e as possibilidades do novo dia aconteciam na minha cabeça.
Só me restou a sensação dela virando e olhando para trás.
Na busca por desvendar o sentimento,
comecei a humanizar o abstrato.
Dar nome para as emoções é saúde mental – sussurrei sozinho,
riscando a pedra do isqueiro.
Decidi, então, que o olhar dela seria o aprendizado,
necessário para seguir em frente sem cair nas mesmas dores
uma das pernas só poderia ser o livre-arbítrio enquanto a outra seria o destino, juntas se transformam no futuro, porque assim o futuro é, uma linha corpulenta e veloz.
Em meio a minha auto-psicanálise matinal,
narrada pelo cantar da natureza que não se decidia
entre ventos ou brisas, entendi tudo.
A vida como verdade não linear
só poderia ser descrita pela própria vida.
No pensar e respirar, olhar e sentir, se dá o auto-conhecimento universal e inexplicável, o de existir.
Se existir é uma mágica divina,
viver é sorte da inteligência do acaso.