Não sei escrever sobre o amor

E essas coisas melequentas

Não sei comparar uma mulher com a porra de uma rosa

Não fico lamentando os foras que levei

Nem faço um culto a depressão dos jovens

Busco incessantemente

assim como tubarões sedentos por sangue

escrever sobre algo que retrate

Essa delicia de vida amarga que eleva minha glicose

Algo como uma inspiração,

que faça meu sangue ferver mais

do que os judeus na segunda guerra mundial

E afinal isso nunca vem de algo parecido

com o que vocês chamam de amor

Não

Isso vem do desejo da liberdade incondicional

O mesmo desejo que guia qualquer filha da puta ao redor desse mundo.

Não pagar impostos

Não ser limitado a fronteiras imaginarias

Não fazer algo só porque todo mundo diz que é certo

Rasgar as leis

Não incomodar ninguém

Viver em paz

Ficar na sua

Aprender a tocar violão

Apreciar a arte e o caos.

Mas acho que trocaria tudo isso

por alguém que de fato me entenda.