Aqui estamos novamente,
sábado a noite,
lendo poesias do seculo XIX
ouvindo música francesa
o sofisticado, sr Harys Damon
disparando suas munições covardemente
na tela de um computador
esperando que alguém leia e “oh meu deus eu entendo ele”
esse é o sonho de todo poeta do submundo
que alguém o leia e diga
“espera, eu entendo esse cara”
Mas não existe esse tipo de gloria aqui,
as únicas pessoas que me entendiam
agora estão mortas,
enterradas entre outros versos,
nas entranhas subliminares das rimas
que eu não fui capaz de terminar..
Agora você,
tem que me ler
e não entender nada disso aqui
isso é broxante.
Eu costumava colocar meu sangue
nesses caracteres
e escrever coisas realmente profundas
e agora me sinto afogado na superfície.
Talvez eu deva, tentar achar alguma forma
de quebrar o que está abaixo dos meus pés,
eu imagino que isso deva ser frágil,
mas me conformo por colocar minha cabeça em um balde d’água
e simular tudo.
A conformidade com a superficialidade,
mata mais que o câncer, e mesmo assim as pessoas continuam
sendo algo que elas não são.
Talvez pelo mesmo motivo de que as pessoas continuam
a colocar um cigarro na boca.
Estamos todos fodidos.
Cambio desligo.