A página em branco, que eu posso estragar

É a mesma que eu posso fazer história.

Os caracteres que eu posso usar para trazer o amor

São os mesmo que eu já usei para causar guerra.

Todo exército vai a batalha para defender algo

E defender algo, geralmente é destruir algo.

É esse o poder que eu não sei usar

De saber escolher

De saber não machucar.

As fotografias

Sabem que eu sou um mentiroso

Elas apenas riem enquanto eu as queimo

E eu escondo as páginas em branco

Atrás da cama

Jogo minhas moedas em um copo de café

Caso um dia eu tenha que fugir

Eu as amasso, rasgo, ateio fogo

E sempre me vêm outras

Em algumas eu tento escrever

Em outras eu quebro a ponta do lápis

Por puro prazer

Mas essas fabricas…

E essas malditas arvores…

Continuam a me trazer mais

E chega este momento em que eu não sei o que fazer…

De repente  percebo o valor deste papel na minha mesa,

De repente esta folha não mereça ser danificada

Resolvo deixa-la ali, intacta

até lhe seja merecida uma nova poesia,

ou quem sabe um novo poeta.